Defesa do organismo

 

Defesa Não Específica      ¶ Resposta Inflamatória   Sistema Complemento

                                                                                         Interferão

 

Defesa Específica      ¶ Imunidade Humoral   Imunidade Mediada por Células

                                                                                          Qual a sua relação

    Existem dois tipos de defesa do organismo: a defesa não específica e a defesa específica.

 

 Defesa Não Específica

 

   A defesa não específica faz parte da imunidade inata, isto é, a imunidade que possuímos desde que nascemos. Na imunidade não específica existe uma primeira linha de defesa onde intervêm as barreiras anatómicas e as secreções. As barreiras anatómicas são a pele e as mucosas, entre outras. A epiderme ou a camada mais externa da pele é constituída por células mortas que impedem a entrada de microrganismos. As mucosas possuem cílios que juntamente com o muco libertado impedem a fixação de microrganismos. As secreções são a saliva, as lágrimas, o muco, as secreções gástricas, e as secreções produzidas pelas glândulas sebáceas e sudoríparas.

   Quando a primeira linha de defesa é ultrapassada pelos microrganismos vai actuar uma segunda linha de defesa. Esta segunda linha de defesa é constituída por quatro processos que são:

  ë Resposta inflamatória

  ë Fagocitose

  ë Interferão

  ë Sistema Complemento

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   Resposta Inflamatória A resposta inflamatória traduz-se por uma sequência complexa de acontecimentos que visam inactivar ou destruir agentes invasores. Quando um agente patogénico entra no nosso organismo é produzida histamina por parte dos mastócitos e basófilos. A histamina difunde-se para os capilares e provoca a vasodilatação, o aumento da permeabilidade dos capilares e a atracção dos leucócitos. A vasodilatação provoca um aumento do fluxo sanguíneo na região o que origina o rubor (vermelhidão) e o calor (aumento da temperatura que provoca um aumento do metabolismo das células). O aumento da permeabilidade dos capilares vai provocar a saída de plasma e fagócitos (neutrófilos e monócitos) – diapedese – para a zona infectada. A saída do plasma faz com que aumente a concentração de fluido intersticial na zona, provocando o edema (inchaço) e a dor. A atracção dos leucócitos leva a uma migração das células fagocitárias por quimiotaxia (as células são atraídas por substâncias químicas libertadas pelos microrganismos) para o local infectado. Ocorre a fagocitose, ou seja, a ingestão e digestão dos microrganismos pelos fagócitos e posteriormente a cicatrização.

  Além da resposta inflamatória local, outras reacções podem envolver todo o organismo quando este é invadido por microrganismos patogénicos, constituindo a chamada resposta sistémica. A febre é dos sintomas clínicos mais comuns nas respostas inflamatórias sistémicas. As toxinas produzidas pelos agentes patogénicos e certos compostos chamados pirogénios, produzidos por alguns glóbulos brancos, podem fazer disparar a febre. A febre muito alta é perigosa mas uma febre moderada é benéfica pois estimula a fagocitose, devido ao elevado número de leucócitos que circulam pelo organismo e inibe a multiplicação de muitas espécies de microrganismos.

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  Sistema complemento O sistema complemento é constituído por uma série de cerca de 20 proteínas que se encontram no estado inactivo. São produzidas no fígado, no baço e no intestino. A activação destas proteínas é uma reacção em cascata, ou seja, cada proteína actua como catalisador da proteína seguinte.

  Estas proteínas vão fixar-se à membrana das bactérias criando poros que conduzem ao extravasamento do seu conteúdo celular e, consequentemente, à sua morte. Este processo designa-se por lise celular. Vão também recobrir os agentes patogénicos, dificultando a sua mobilidade e permitindo que a fagocitose ocorra mais facilmente. Por acção destas proteínas também vai ocorrer a atracção dos fagócitos até ao local da infecção – quimiotaxia.

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  Interferão – Os interferões são glicoproteínas produzidas por alguns leucócitos. Quando uma determinada célula é atacada por um vírus, esta vai reagir produzindo interferões. Estes migram para a corrente sanguínea, fixando-se em determinadas células que possuem na sua membrana celular receptores específicos para estes interferões. Os interferões ao fixarem-se vão estimular as células a produzir proteínas anti-virais e são estas proteínas que vão controlar directamente as infecções virais. As proteínas anti-virais vão estimular a destruição das células infectadas, aumentar a fagocitose e interromper a multiplicação do vírus.

 

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Defesa Específica

 

  A defesa específica, também denominada de imunidade adquirida é realizada pelos Linfócitos B e Linfócitos T, que actuam sobre determinados antigénios. Os antigénios, são componentes moleculares estranhos que estimulam uma resposta imunitária específica. Os Linfócitos T e Linfócitos B formam-se na medula óssea vermelha a partir de linfoblastos que são células precursoras de Linfócitos. Os Linfócitos B formam-se e atingem a maturação (adquirem receptores específicos para determinados antigénios que lhes permitem depois reconhecer esses antigénios) na medula vermelha dos ossos.

   Os Linfócitos T formam-se na medula vermelha dos ossos mas atingem a maturação no timo. Após os Linfócitos terem desenvolvido os seus respectivos receptores tornam-se células imunocompetentes (capazes de resposta imunitária). Os Linfócitos entram na corrente sanguínea e migram para os órgãos linfóides secundários onde ficam armazenados.

 

A resposta imunitária específica agrupa-se em dois conjuntos principais:

  ³  Imunidade Humoral

  ³  Imunidade Celular

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  Imunidade Humoral

 

   As células efectoras da imunidade humoral são os Linfócitos B. Estes Linfócitos apenas reconhecem determinados antigénios:

 

  •   Bactérias;

  •   Vírus;

  •   Toxinas produzidas por bactérias;

  •   Moléculas solúveis.

 

  Quando um antigénio entra num organismo e chega a um órgão linfóide, ocorre a selecção dos Linfócitos B que possuem na membrana receptores específicos para esse antigénio (Selecção Clonal). Posteriormente, os Linfócitos B dividem-se (multiplicação por mitoses) e diferenciam-se, originando plasmócitos e células-memória (diferenciação). Os plasmócitos têm um retículo endoplasmático rugoso muito desenvolvido e produzem anticorpos específicos para o antigénio que desencadeia a reacção. Os anticorpos são posteriormente lançados no sangue ou na linfa e vão circular até ao local de infecção. As células-memória ficam inactivas, mas prontas a responder rapidamente, caso venha a acontecer um posterior contacto com o antigénio. Ocorre uma resposta imunitária secundária mais rápida, duradoura e eficaz.

  Geralmente os anticorpos não reconhecem o antigénio como um todo. O anticorpo identifica regiões localizadas na superfície de um antigénio, denominadas determinantes antigénicos. Certos antigénios têm muitos determinantes diferentes na sua superfície. Assim podem estimular a produção de diferentes anticorpos.

  O anticorpo é constituído por duas cadeias pesadas e duas cadeias leves. As extremidades das cadeias pesadas e das cadeias leves constituem as regiões variáveis. É nessas regiões variáveis que se localizam os sítios de ligação dos antigénios.

 

  Mecanismos de acção dos anticorpos

  Os anticorpos não têm capacidade de destruir directamente os invasores portadores de antigénios. Na realidade, eles “marcam” as moléculas estranhas, que são posteriormente destruídas por uma série de processos.

  A interacção antigénio-anticorpo pode ter diferentes consequências em termos imunitários, das quais se destacam:

  ³ Precipitaçãose o antigénio é uma molécula solúvel, o resultado é a formação de complexos imunes insolúveis que precipitam.

  ³ Aglutinação se as moléculas antigénicas fazem parte da parede de uma célula, dá-se a aglutinação das células devido à ligação da mesma molécula do anticorpo a antigénios presentes em células diferentes.

  ³ Intensificação directa da fagocitose nas membranas dos fagócitos existem receptores capazes de fixarem de maneira específica a região constante dos anticorpos. Deste modo, aumenta a aderência dos complexos imunes à célula fagocitária, favorecendo a endocitose.

  ³ Neutralizaçãoos anticorpos fixam-se sobre vírus ou toxinas bacterianas, impedindo-os de penetrar nas células. Estes complexos podem posteriormente ser destruídos por fagocitose.

  A presença do complexo antigénio-anticorpo dá início a uma série de acontecimentos que aumentam a resposta inflamatória.

 

Existem várias classes de imunoglobulinas (anticorpos):

 - IgG Pode atravessar a placenta permitindo que a mãe transfira a sua imunidade para o feto. Entra também no colostro e no leite materno.

 - IgMSob a forma livre existe exclusivamente no soro.

 - IgAEncontra-se principalmente nas lágrimas, na saliva, na secreção nasal, no suor, no leite, no suco intestinal e no muco.

 - IgD Encontra-se essencialmente na superfície dos linfócitos B.

 - IgELiga-se a basófilos e mastócitos e é responsável por alergias.

 

  Rejeição a transplantes 

  As principais substâncias utilizadas pelo sistema imunitário no reconhecimento de células estranhas são proteínas do complexo maior de histocompatibilidade ou MHC. Calcula-se que na espécie humana, existam pelo menos vinte tipos básicos dessas proteínas, cada qual com mais de cinquenta variantes. Assim, é quase impossível, a não ser no caso de gémeos idênticos, encontrar duas pessoas que possuam exactamente a mesma combinação de proteínas do MHC.

  As proteínas do MHC são as principais responsáveis pelas complicações ocorridas em enxertos e transplantes de órgãos entre pessoas. Os linfócitos T reconhecem as proteínas do MHC das células do dador como antigénios e passam a atacar e rejeitar o enxerto ou órgão transplantado. A reacção de rejeição é geralmente resultado do ataque movido pelos linfócitos T do receptor às células transplantadas.

  Os médicos procuram atenuar os problemas de rejeição realizando transplantes entre pessoas com maior grau de semelhança possível em relação às proteínas do MHC, mas uma identidade perfeita só existe mesmo entre gémeos idênticos. Após o transplante o paciente é tratado com substâncias que enfraquecem o sistema imunitário, o que tem a desvantagem de tornar o organismo mais susceptível a infecções.

  Um antibiótico extraído de um fungo, a ciclosporina A, vem sendo largamente empregado no tratamento de pessoas que receberam transplantes de órgãos. A ciclosporina tem a vantagem de suprimir a imunidade humoral. Os transplantes de órgãos são hoje uma rotina em diversas partes do mundo, salvando a vida de milhares de pessoas.

  O sucesso no transplante de órgãos deveria estimular as pessoas a doarem os seus órgãos em caso de morte acidental. Esta atitude altruísta pode contribuir para salvar a vida ou diminuir o sofrimento de muitas pessoas.

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  Imunidade Mediada por Células

 

  As células efectoras da imunidade humoral são os Linfócitos T. Estes Linfócitos apenas reconhecem antigénios apresentados na superfície das células do nosso organismo, ligados a moléculas particulares que são marcadores individuais. Estas células são denominadas de células apresentadoras.

  Os Linfócitos T são activos contra parasitas multicelulares, fungos, células infectadas por bactérias ou vírus, células cancerosas, tecidos enxertados e órgãos transplantados.

  Quando um antigénio entra no organismo e chega a um órgão linfóide, ocorre a selecção dos Linfócitos T que possuem na membrana receptores específicos, complementares com os receptores do antigénio – Selecção Clonal. Depois de activados, os Linfócitos T entram em divisão – Proliferação Clonal. Esta proliferação vai levar à formação de diferentes tipos de Linfócitos T, com funções específicas:

 

 ë Linfócitos T auxiliares – Reconhecem antigénios específicos ligados a marcadores e segregam mensageiros químicos, que vão estimular a actividade de células como os fagócitos, os Linfócitos B e outros Linfócitos T;

   ë   Linfócitos T citolíticos Reconhecem e destroem células infectadas ou células cancerosas;

 ë Linfócitos T supressores – Através de mensageiros químicos, ajudam a moderar ou a suprimir a resposta imunitária quando a infecção já está controlada;

 ë Linfócitos T memória Ficam armazenados no organismo, inactivos. Mas respondem rapidamente, entrando em multiplicação, se houver novo contacto com o mesmo antigénio.

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  Imunidade humoral e Imunidade mediada por células – que ligação?

   Estes dois tipos de imunidade interagem de vários maneiras.

  Os Linfócitos B e os Linfócitos T influenciam-se mutuamente por vários meios. Por um lado, os anticorpos produzidos pelas células B podem facilitar ou diminuir a capacidade de as células T atacarem e destruírem as células invasoras. Por outro lado, as células T podem intensificar ou suprimir a produção de anticorpos pelas células B.

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